Atmosfera marciana estaria sobressaturada de vapor de água

Publicado: 22 de novembro de 2011 por sundeksp em Reportagens
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A análise dos dados recolhidos pela nave espacial européia Mars Express não deixa lugar a dúvidas: a atmosfera de Marte contém vapor de água em um estado sobressaturado. Este surpreendente achado permitirá aos cientistas compreender melhor o ciclo do água no planeta vermelho, bem como a evolução de sua atmosfera. O estudo foi dirigido por uma equipe francesa do Laboratorie Atmospheres, Milieux, Observations Spatiales (LATMOS/CNRS), em colaboração com colegas da Rússia e França, e publicada na revista Science.

Achado tem envolvimentos importantes para o entendimento atual do clima e o transporte de água em Marte
Na Terra, o vapor d’água tende a se condensar, isto é, converter-se em líquido, quando a temperatura cai abaixo do ponto. Se diz que o ambiente está “saturado” quando já não pode manter mais a umidade nessa temperatura e pressão. O excesso de vapor se condensa em torno das partículas em suspensão e pó, formando as precipitações (chuvas). No entanto, às vezes a condensação pode ser bem mais lenta, especialmente quando as partículas e o pó são escassos. Não consegue condensar e o excesso de vapor d’água permanece em estado gasoso: isto se conhece como sobressaturação.
Até agora, se supunha que este fenômeno não poderia ocorrer na atmosfera marciana, ainda que isto nunca havia sido comprovado. Enquanto várias naves espaciais têm visitado Marte desde a década de 70, a maioria de seus instrumentos centraram-se nos dados de superfície, só observando o componente horizontal da atmosfera marciana.
A forma em que o conteúdo de água em Marte varia com a altura se manteve em grande parte inexplorado. A pesquisa com o espectrômetro a bordo da Mars Express vem permitindo preencher este vazio. A Spicam pode estabelecer perfis verticais da atmosfera utilizando ocultação solar, ou seja, observando a luz do Sol à medida que viaja através da atmosfera marciana ao amanhecer e entardecer.
 

Estudo poderia possibilitar compreensão do provável ciclo hidrológico do planeta vermelho

 
Contrariamente à crença anterior, os pesquisadores descobriram que a sobressaturação do vapor d’água é um fenômeno freqüente em Marte. Inclusive observaram altos níveis de sobressaturação – até 10 vezes maiores que as encontradas na Terra. “Esta capacidade do vapor de água para existir em um estado altamente saturado poderia, por exemplo, fornecer água ao hemisfério sul de Marte, de forma bem mais eficiente do que os modelos atuais predizem”, assinalou Franck Montmessin, pesquisador do LATMOS e líder do projeto.
Mais ainda, uma quantidade muito maior de vapor do que se pensava poderia ser transportada o suficientemente alto na atmosfera para ser destruída por fotodissociação. Se confirmado, este fenômeno poderia ter conseqüências para todo o processo de água de Marte, uma parte que tem escapado ao espaço durante milhares de milhões de anos, o que explicaria em parte a baixa abundância atual de água no planeta.
A distribuição vertical de vapor d’água é chave para o estudo do ciclo hidrológico em Marte. A hipótese segundo a qual a quantidade de água na atmosfera marciana está limitada pelo processo de saturação, portanto, precisa ser revisada. Este achado tem envolvimentos importantes para o entendimento atual do clima e o transporte de água em Marte.

Fonte: UFO

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