Astrônomos conseguem medir a desaceleração da expansão do Universo

Publicado: 14 de novembro de 2012 por sundeksp em Reportagens
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Pesquisa foi capaz de medir, pela primeira vez, de modo preciso o quanto o Universo diminuiu a velocidade de sua expansão há 11 bilhões de anos

sloan telescópio

O levantamento feito com o telescópio do Sloan, no Novo México, é um dos mais relevantes projetos em astronomia já realizados. Os dados do Sloan podem ajudar a compreender a composição da chamada energia escura, a responsável pela aceleração da expansão do Universo.                                      (Fermilab Visual Media Services)

Considerando apenas a força atrativa da gravidade, a expansão do Universo, que tem 14 bilhões de anos de idade, deveria estar numa gradual desaceleração. Alguns bilhões de anos depois do intenso impulso do Big Bang, o avanço da matéria cósmica originada da grande explosão até começou a perder velocidade. Os cientistas não entendem, no entanto, por que o Universo voltou a se expandir aceleradamente há cerca de cinco bilhões de anos, fenômeno desta vez influenciado por uma força desconhecida chamada energia escura.

Tentar compreender qual a composição dessa tal energia escura — sobre a qual não conhecemos rigorosamente nada — é a nova fronteira do conhecimento que os astrofísicos tentam superar. “Vai ser uma revolução. Ela pode simplesmente ser uma nova força da natureza, o que mostra que a nossa física não explica tudo”, afirma Luiz Nicolaci, astrofísico do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LineA), no Rio de Janeiro. Não à toa, o prêmio Nobel de Física do ano passado foi concedido a Saul Perlmutter, Brian Schimidt e Adam Reiss, responsáveis pelo mais importante estudo sobre a expansão do Universo até o momento.

Uma pesquisa publicada nesta terça-feira no periódico Astronomy & Astrophysics representa mais um passo na tentativa de compreender o que é esse componente cósmico, que preenche nada menos do que 70% do Universo. Astrônomos da terceira edição do consórcio Sloan Digital Sky Survey (SDSS-III) conseguiram medir pela primeira vez a taxa de desaceleração da expansão cósmica que ocorreu há 11 bilhões de anos. Ou seja: antes de a energia escura tornar-se uma força predominante no cosmos e enigmaticamente pisar no acelerador.

Ao analisar com precisão uma fotografia do comportamento do Universo numa época tão longínqua, os astrônomos esperam combinar os dados com os obtidos em outros estudos para, no futuro, elaborar uma teoria que contemple essa nova força.

“O valor dessa pesquisa é a possibilidade de vermos como o Universo evoluiu em diferentes épocas da sua existência”, afirma Nicolaci, para quem a pesquisa contribui na tentativa de compreender a composição da energia escura. Marcio Maia, outro astrofísico do LineA, afirma que os cientistas precisam reunir informações sobre o comportamento da energia escura (mesmo antes de ela ser uma força dominante) nos mais diferentes tempos do Universo para tentar elaborar uma teoria sobre a sua composição. O LineA, vinculado ao Observatório Nacional, participa do projeto Sloan Digital Sky Survey.

Método – Compõe o Sloan quatro diferentes campos de pesquisa. Para medir a desaceleração do Universo há 11 bilhões de anos, os astrônomos utilizaram o Baryon Oscillation Spectroscopic Survey (BOSS). Num movimento igual ao arremesso de uma pedra num lago, que produz ondas que vão se alongando conforme se afastam do epicentro, os astrônomos conseguiram identificar certos padrões comuns observados na luz emitida por quasares — e absorvidas por nuvens de hidrogênio — em regiões longínquas do Universo. “Os astrônomos conseguiram observar uma região distante do Universo. E quanto mais longe, observamos os objetos no passado”, finaliza Maia, do LineA.

Saiba mais

ENERGIA ESCURA A energia escura é uma componente descoberta recentemente que representa 70% do conteúdo do Universo. Ela é a suposta responsável pela aceleração da expansão do Universo.

SLOAN DIGITAL SKY SURVEY (SDSS) O Sloan Digital Sky Survey, atualmente na sua terceira edição, é um levantamento que conseguiu produzir, no ano passado, a maior imagem já feita do Universo, engloando milhares de objetos celestes. O projeto, que já dura mais de 10 anos, é considerado um dos de maior impacto na astronomia, tendo rendido até o momento mais de 4.000 publicações e 150.000 citações.

Fonte: Portal Veja

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